Declarado amante de futebol, Agre-G, trocou a quadra desportiva pelos estúdios musicais. Há cinco anos, o ex-jogador, federado pelo Clube Desportivo Joca Sport, descobriu uma outra paixão, além da bola, à qual se dedicou, incondicionalmente, desta vez, o Kuduro.
“Quando era pequeno, gostava de jogar e não passava um dia sem dar um toque na bola, e a minha escolha pela música foi uma surpresa pouco agradável para os meus pais”, explicou Geremias Pinto, “Agre-G”.
O estilo, kuduro, foi uma escolha pessoal do artista, que embora confesse de que gosta de pisar na grama e driblar os adversários, não se arrepende da opção que fez e da luta que travou com os seus pais na aceitação da sua nova carreira, a música.
“Naquela altura, o meu pai era o mais radical dos dois”, explicou Agre-G, salientando que “pelo facto de na altura o kuduro ser visto como um estilo usado maioritariamente por marginais, em que alguns até transmitiam mensagens agressivas”.
Segundo o músico, hoje, a luta que trava em companhia dos seu colegas é na defesa e preservação do estilo, transmitindo nas suas letras mensagens educativas. “Felizmente temos conseguido”, realçou.
Quando, em 2005, Agre-G, decidiu enveredar pelo estilo fê-lo com um certo receio, mas, acredita que se tratou de uma afortunada audácia. “Precisamos de kuduristas com mente aberta e capacidade de fazer do kuduro um estilo socialmente aceitável”, disse.
Segundo o músico umas das metas dos kuduristas da nova vaga, é provar à sociedade que o kuduro não é um estilo de marginais, tendo em conta que os maiores ouvintes do género são as crianças.
Novo álbum e o videoclip
Embora ainda no segredo dos deuses, a VIDA soube que o cantor já está a trabalhar no seu próximo disco, que contará com a participação de algumas referências da musica nacional entre eles o showman Yuri da Cunha, numa mistura entre o kuduro e o semba. O dance também será uma inovação para o próximo disco do artista.
Fã incondicional do músico angolano Paulo Flores, com que teve a oportunidade de partilhar a caravana para a Expo Shangai, Agre-G realçou que além de Yuri da Cunha, uma das outras apostas, e que seria a realização de um sonho, é ter no seu disco a participação do seu ídolo.
“Apesar de nunca o ter visto a participar em nenhum outro projecto de kuduro seria uma grande honra para mim, e o alcançar do apogeu, tê-lo na minha próxima obra discográfica”, disse.
O artista que gravou recentemente o videoclip da música “Isto é kuduro”, com a participação de vizinhos e amigos do bairro da Bananeira, na Maianga, sob chancela da Xando Produções, já tem no mercado cinco videosclips: “Pick Pick”, “Melindro”, “Tchilar a beça” e “Qual é a ideia”.
“Pelo facto de algumas músicas do antigo álbum ainda estarem a ser consumidas, não sou pressionado a lançar uma outra obra, o que faz com que trabalhe folgadamente. Neste contexto, e para satisfazer as expectativas dos fãs, lancei apenas mais uma música, que é a “Pick Pick”, e que felizmente já é um sucesso”, explicou Agre-G.
O Melindro e Agre-G
Estilo que contaminou o país, de norte a sul e do mar ao leste, o Melindro, que surgiu no Bairro Militar, teve como impulso a forma de andar
de um deficiente físico, morador do mesmo.
“Eu e os meus dançarinos desenvolvemos o estilo e passado algum tempo ficou conhecido por todo o país”, explicou o músico salientando que “começámos a realizar festas de contribuições em que o estilo predominante era o kuduro do Melindro. Felizmente, hoje as pessoas gostam de ver e ouvir a cantá-lo”.
Questionado sobre o nome que usa nas suas apresentações o artista explicou que “havia a necessidade de ter um apelido artístico e juntei o nome por que vulgarmente era conhecido no bairro, com o nome que os meu amigos me atribuíram na altura, e surge o AGRE-G, ou agressivo Gegé”.
Os primeiros passos no estilo
Ainda miúdo, com apenas 13 anos, começou a dar os seus primeiros passos na música, e na altura as pessoas com quem trabalhava foram os grandes impulsionadores do seu sucesso. “Eles sempre diziam: dentro de cinco anos serás uma estrela, e a profecia se concretizou”.
Mas o artista lembra, ainda o primeiro dia em que decidiu pegar numa folha de papel e compor a sua primeira música de kuduro. Duas horas depois, apareceram em sua casa quatro amigos: o Prata, o HM, o Mandela e o Hamilton, que depois de saberem o que fazia riram-se, dizendo que estava a ficar doido.
“Quando saíram da minha casa, contaram ao bairro inteiro que me encontraram a escrever uma música no estilo kuduro. Saí à rua e o bairro todo gozou comigo. Foi humilhante”, lembra.
Segundo o cantor a preferência pelo kuduro surgiu em consequência do convívio com os amigos do bairro onde, no local de pousada, a música mais ouvida, era o kuduro,
”Consumíamos muito kuduro e pensei: que tal começar a escrever e a cantar aquilo que mais se ouve aqui no bairro. Afinal de contas os meus amigos irão dançar e cantar o que vou criar”.
Um dos grandes momentos da sua carreira foi em 2008, na Casa da Juventude em Viana, aquando do seu primeiro grande espectáculo.
“Marcou-me muito, porque ainda não era conhecido como músico, mas o público aderiu em massa. A música do Melindro foi a grande explosão daquela noite”, explicou.
Após este momento, o músico, sentiu a necessidade de trabalhar mais as suas letras, e juntar a coreografia aos seus próximos shows, pelo que começou uma nova fase na sua vida. A gravação do primeiro álbum do músico, Ontem Sonho e Hoje Realidade, durou um ano e os patrocínios apareceram num momento em que já não contava. Quando o patrocinador ouviu as suas músicas decidiu apostar nele e no estilo kuduro.
“Mas não foi fácil conseguir o patrocínio pois já vinha a batalhar há algum tempo”, explicou Agre-G.
A primeira obra do cantor é composta por 14 faixas musicais, onde consta o sucesso “Melindro”. Durante a sessão de venda e autógrafos, o Parque da Independência registou uma enchente considerável, onde foram vendidas dez mil cópias, sob chancela da Xando Produções, o que ultrapassou a expectativa do músico e da produtora.
Com o lançamento de Ontem Sonho e Hoje Realidade, surgiram outras oportunidades. Logo a seguir o cantor participou em vários eventos, entre eles os casinos em Lisboa, e em espectáculos de cantores angolanos referenciados como Irmãos Verdades, Yuri da Cunha, Yanick e Pérola.
Convidado a opinar sobre os pioneiros do estilo, Tony Amado e Se Bem, Agre-G realçou que “são os pilares do estilo visto que deram o pontapé inicial, e muito fizeram para que o kuduro se afirmasse no mercado e se tornasse conhecido internacionalmente”.
“Apesar de hoje, estarmos a fazê-lo de uma forma totalmente diferente, é importante destacar que eles são os ícones do kuduro em Angola”, realçou Agre-G.
Por detrás do cantor
Nascido no bairro que o viu crescer, Bananeiras, no município da Maianga, em Luanda, Agre-G apresenta-se como uma pessoa simpática, educada e acima de tudo amigo dos seus amigos.
“Embora ter sido uma criança muito extrovertida, nunca faltava ao respeito às pessoas e cumpria sempre tudo o que os meus pais recomendavam”.
Na escola e ainda no bairro, entre os amigos, estava sempre entre os meninos mais destacados, na sala de aulas, maratonas escolares e nas brincadeiras de grupo. Aprontava das suas mas nunca ultrapassando os limites.
Segundo a nossa estrela, nos últimos cinco anos, vem notando uma certa mudança no seu comportamento e na forma de lidar com as pessoas, “Sem me aperceber fui-me tornando cada vez mais tímido, e não encontro uma resposta concreta para esta mudança”.
“Talvez seja pelo facto de começar a lidar com muito mais gente”, disse salientando que: “às vezes as pessoas consideram-me muito cínico ou antipático, devido a esse meu comportamento, o que para mim é aborrecido, principalmente quando tenho que enfrentar algum fã”.
Melhor amigo dos seus amigos, Agre-G, dá-se por satisfeito por manter no seu ciclo de amizades os mesmos amigos de infância, no bairro onde nasceu. “Felizmente, continuo presente entre os meus melhores amigos de infância, e é com eles com quem partilho os bons e maus momentos da minha carreira.
Ontem sonho, hoje realidade
Com 12 faixas musicais, o primeiro disco do cantor, patrocinado pela Xando Produções (XP) e comercializado na Praça da Independência contou com uma tiragem de dezoito mil cópias.
Agradecimentos á revista vida
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